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Um Diário de Classe nada convencional

É de conhecimento público que a situação das escolas públicas do Brasil é deplorável. Falta de professores titulares, má administração, os prédios não passam por reformas, os refeitórios são inapropriados entre outras coisas. E muitos candidatos a prefeito, durante suas campanhas eleitorais na televisão, mostram as coisas muito diferentes e prometem melhorias na educação municipal que não são cumpridas.

Foi pensando nisso que a aluna Isadora Faber, de 13 anos, estudante da escola municipal Maria Tomázio Coelho, em Santa Catarina, criou em julho deste ano uma página no facebook para denunciar a situação de sua escola. Intitulada Diário de Classe, a página é alimentada com fotos de fiações expostas e desencapadas, ventiladores e mesas quebrados, portas sem maçaneta e muitos outros problemas que assolam não só o colégio de Isadora, mas todos os outros pelo Brasil. Além das fotos, ela também posta vídeos mostrando a bagunça durante as aulas de matemática – vídeos esses que a garota teve que retirar do ar. Além de mostrar os problemas, a adolescente se preocupa, também, em publicar as melhorias já feitas na escola.

Muitas postagens mostram a indignação de Isadora diante da incapacidade de professores substitutos – durante a aula, eles passam somente um exercício para ser feito. Ela opina que o tempo de aula poderia ser melhor aproveitado pelo professor para realmente ensinar algo. Suas reclamações não param por aí, ela também diz ser contra o programa do governo conhecido como Progressão Continuada que dificulta a reprovação dos alunos que têm média baixa até a 8ª série, segundo ela isso só contribui para a má formação dos alunos, e acarretaria problemas sociais.

ImagemPressão

Isadora conta que sofre pressão por todos os lados para a retirada da página do ar, ou parte de seu conteúdo – o que já conseguiram com vídeos que a menina postou que mostram o refeitório e as aulas. Pode parecer mentira, mas a garota sofre bullyng não só da direção da escola, alunos e professores têm a recriminado de muitas formas. Em um de seus posts conta que a professora de português chegou a passar uma aula em que expôs aos alunos as políticas da internet e disse ser errado falar mal de professores na rede.

Mas pelo visto a garota não vai parar, suas publicações começaram a surtir efeito, muitas portas, ventiladores, tomadas e bebedouros já foram arrumados, tudo isso aliado ao seu sucesso na rede (desde a criação, em 11 de julho, a página recebeu mais de 57 mil ‘likes’, e o número sobe a todo minuto!) só estimulam Isadora a continuar com a página que, segundo ela, tem o objetivo de favorecer a todos, não só a ela.

Hoje a professora de português Queila, preparou uma aula pra me ”humilhar” na frente dos meus colegas, a aula falava sobre politica e internet, ela falava que ninguém podia falar da vida dos professores, porque nós podíamos ter feito muitas coisas erradas pra eles odiarem e etc. Eu e acho que a maioria dos meus colegas entenderam o recado ”pra mim”. Além disso quando vou até o refeitório as cozinheiras, começam a falar de mim, na minha frente e rir, eu e a Melina (minha colega) fomos reclamar com a diretora, então ela disse que eu tenho que aguentar as consequências e que a partir de agora seria assim com todos, não resolveu o problema. Confesso que fiquei muito triste …

Publicação do dia 21 de agosto.